O paradoxo do rosa na Copa: quando o esforço por diferenciação deixa todas as marcas iguais

Como o mar de chuteiras rosas na Copa prova o efeito manada do branding e transfere a disputa do design para a velocidade da operação local Quem tem assistido aos jogos da Copa do Mundo certamente já percebeu um elemento que tem se destacado em quase todas as partidas: a dominância avassaladora de chuteiras em […]

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Como o mar de chuteiras rosas na Copa prova o efeito manada do branding e transfere a disputa do design para a velocidade da operação local

Quem tem assistido aos jogos da Copa do Mundo certamente já percebeu um elemento que tem se destacado em quase todas as partidas: a dominância avassaladora de chuteiras em tons de rosa vibrante nos pés dos principais atletas do planeta. 

O bastidor de negócios por trás disso é surpreendente. De forma totalmente independente e sem que nenhuma soubesse dos planos de desenvolvimento de produtos da outra, todas as principais marcas esportivas fornecedoras de chuteiras do mercado mundial tomaram exatamente a mesma decisão estratégica.

No entanto, o que era para ser um golpe de mestre de posicionamento individual acabou gerando uma ironia visual. Ao agirem sob a mesma cartilha da “ciência do contraste” para se destacarem contra o verde do gramado, as marcas anularam umas às outras. O que se vê em campo não é a genialidade isolada de uma grife, mas uma massa homogênea colorida onde o logotipo se perde na paisagem.

Para Victor Dellorto, CEO da Deskfy — plataforma SaaS líder em gestão de marketing multilocal —, esse cenário acende um debate profundo e incômodo sobre os rumos do branding moderno.

“A busca cega pelo contraste visual gerou o paradoxo da invisibilidade por excesso. Quando todas as marcas decidem gritar na mesma frequência cromática para chamar a atenção, o silêncio vira o maior ativo de diferenciação. O rosa chocou no primeiro jogo, mas no décimo, virou paisagem. Em um ambiente saturado de estímulos hiper-vibrantes, a marca que fizesse o básico bem-feito, apostando em um design minimalista, puramente preto e branco, romperia o padrão com muito mais elegância e autoridade”, analisa Dellorto.

A armadilha da hiper-inovação: por que todos têm a mesma ideia?

Essa coincidência nos gramados revela um sintoma crônico que afeta o mercado corporativo muito além dos artigos esportivos. Na corrida incessante para tentar prever a próxima grande tendência, se destacar da concorrência e criar campanhas disruptivas, as empresas acabam bebendo todas da mesma fonte. O uso massivo de algoritmos idênticos, as mesmas ferramentas de Inteligência Artificial e os mesmos bancos de dados preditivos geram um efeito colateral irônico: o mercado tenta tanto ser diferente que acaba descobrindo a mesma resposta exata ao mesmo tempo.

Essa homogeneização tecnológica cria mercados saturados de conceitos parecidos, campanhas com a mesma linguagem visual e produtos com as mesmas promessas. O CEO da Deskfy aponta que a obsessão por criar o “nunca antes visto” faz com que os líderes de marketing sofram de uma miopia operacional, esquecendo o valor estratégico da simplicidade.

“O erro atual do branding é acreditar que a diferenciação real vem apenas de conceitos complexos, tecnologias mirabolantes ou fórmulas mágicas de engajamento. Na ânsia de usar IA para criar experiências hiper-rebuscadas, as marcas chegam ao mercado com soluções quase idênticas às dos rivais. O verdadeiro desempate migrou de patamar. Quando todo mundo tenta fazer o impossível, quem escolhe fazer o básico com consistência absoluta e execução perfeita se torna a única voz audível na sala”, conclui o executivo.

Do ponto de vista de marketing, as chuteiras rosas da Copa representam uma estratégia de atenção coletiva: o objetivo era dominar o campo visual, gerar conversa nas redes sociais e criar uma tendência tão forte que parecesse inevitável. Já a chuteira branca e azul criada pela Adidas para Lionel Messi segue a lógica oposta: ela não busca ser parte de uma multidão, mas contar uma história única.

Inspirada nas cores da Argentina e nas chuteiras usadas por Messi em sua primeira Copa, a edição “El Último Tango” transforma um produto em símbolo de legado, nostalgia e despedida. Enquanto a onda rosa vende tendência e impacto imediato, a chuteira de Messi vende narrativa, emoção e identidade. Um ativo muito mais raro e duradouro para uma marca. 

O aprendizado que o mar de chuteiras rosas deixa para o mundo corporativo é que a sofisticação da marca perde o valor se a engrenagem de entrega for falha. Em vez de descentralizar os esforços tentando inventar novas modas a cada semana, a maturidade de mercado exige foco em eficiência distributiva e clareza visual. Romper com o efeito manada exige a coragem de desinflar o ego criativo e focar na solidez operacional. 

Para as marcas que buscam relevância duradoura, a inovação mais disruptiva da atualidade não está na busca obsessiva por uma nova cor ou tecnologia revolucionária, mas sim na capacidade de dominar a constância da própria mensagem em escala mundial.

Sobre a Deskfy

Fundada em 2018 por Victor Dellorto, nomeado Forbes Under 30 em 2025, e Lucas Braum, em São Leopoldo (RS), a Deskfy é uma plataforma SaaS (Software as a Service) que organiza o marketing multilocal de redes, franquias e grandes operações, otimizando os fluxos de trabalho entre a matriz e os pontos de venda. A tecnologia centraliza processos, tarefas e ativos de marca em um único ambiente, atacando um dos principais gargalos do setor: o caos operacional.

Desenvolvida especialmente para equipes de marketing, a plataforma que permite que os seus usuários operem com 89% menos retrabalho do que a média do mercado, é utilizada por mais de 200 marcas — incluindo Tramontina, Levi’s, Domino’s Pizza, Ambev, Arezzo, Hering, Havanna, SEBRAE, Melissa e Ânima Educação — e atende cerca de 30 mil usuários em todo o país. Reconhecida por sua inovação, a Deskfy foi a única startup brasileira selecionada para o Impact Accelerator Latino Founders Cohort, da Amazon Web Services (AWS), e também participou do programa Scale-Up da Endeavor Brasil, em 2021.

Mais informações: www.deskfy.io 

LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/deskfy/ 

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